Nossa crítica do episódio.

Atenção!  Contém SPOILERS do episódio 1 da 8ª temporada de Game of Thrones, “Winterfell”. Leia por sua conta e risco.

Domingo de estreia de temporada de Game of Thrones costuma ser assim: a expectativa e a ansiedade vão aumentando durante o dia até que, religiosamente às 22h, você está em estado quase hipnótico em frente à TV. Ver e ouvir a sequência de abertura vai fazendo a sua mente mergulhar de volta nos Sete Reinos enquanto o mapa de Westeros vai sendo desenhado bem na sua frente. É como voltar para casa. E nenhum lugar nessa história toda é mais um lar do que Winterfell.

A residência dos Stark foi onde tudo começou, e também onde tudo culmina neste trajeto final da série. “Winterfell”, o episódio, remete ao piloto, “Winter is Coming”, do início ao fim. Não apenas há cenas paralelas e inspiradas, mas a ideia primária é bastante parecida: em ambos, temos alguém da nobreza chegando ao Norte e colocando em risco uma estrutura familiar. Neste caso, uma nem um pouco equilibrada, ao contrário do que era no início.

Helen Sloan/HBO

Sem tempo a perder, “Winterfell” se presta a assentar como estão as dinâmicas de poder entre os personagens principais. Como se suspeitava, Sansa Stark (Sophie Turner) não está nem um pouco impressionada ou contente com a chegada de Daenerys Targaryen (Emilia Clarke), seu exército de Imaculados, Dothraki e dois dragões adultos. Bran (Isaac Hempstead-Wright), carregado com todo o conhecimento do mundo e da linhagem de Jon, se preocupa com o tempo que está correndo enquanto o exército de mortos se aproxima; Arya (Maisie Williams), cautelosa, observa a frágil amizade entre Sansa e Jon (Kit Harington) ruir em virtude da crise de governabilidade no Norte, sendo um curioso ponto em comum entre ambos. O ex bastardo, no meio de um fogo cruzado, vê suas decisões sendo questionadas pelos nortenhos, que o criticam por ter dobrado o joelho a Dany muito embora ele explique que tomou a decisão pensando na proteção do Reino

Há algo de poderoso em ver Sansa roubando as cenas e questionando a confiança que Snow deposita em Daenerys. O paralelo com a Sansa da primeira temporada, deslumbrada e encantada com Joffrey (Jack Gleeson), é evidente e expõe aqui a importância de se enxergar a garota como a filha de Ned Stark (Sean Bean) e Catelyn (Michelle Fairley), endurecida e estratégica. O conflito adiciona complexidade à suposta união entre Stark e Targaryen, porque é possível ver razão em mais de um lado: Sansa está certa, mas Dany não está errada e entende bem a recepção pouco calorosa que recebeu dos nortenhos.

Helen Sloan/HBO

Por mais interessantes que sejam as dinâmicas de poder, Game of Thrones construiu ao longo dos anos uma necessidade crescente de balancear momentos interessantes com outros mais leves e com tons de humor cada vez mais acessíveis. É assim que, depois da conversa entre Varys (Conleth Hill), Tyrion (Peter Dinklage) e Davos Seaworth (Liam Cunningham) — um diálogo que existe mais para explicar para o público os motivos por que reunir Jon e Dany em casamento seria supostamente uma boa ideia  — nos é entregue um momento à la Harry Potter (Daniel Radcliffe) voando em Bicuço em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, com Jon montando em Rhaegal completamente desajeitado e saindo para um passeio.

A decisão de sair em uma voltinha com Drogon e Rhaegal logo após Dany ter explicado que suas criaturas estavam se alimentando mal (e, logo, enfraquecendo) porque não estavam muito felizes com o frio do norte faz pouco sentido, justamente porque deixa de lado o instinto protetor materno que foi tão importante para a personagem em temporadas anteriores. Por outro lado, já vimos este mesmo instinto materno ser ignorado com a morte de Viserion na sétima temporada, ambos os casos sugerindo uma certa negligência de Dany para com os filhos quando o assunto for Jon Snow.

Colocar Snow sobre as costas de Rhaegal enquanto o “casal de pombinhos” foge para um momento mais íntimo (e constrangedor, como Drogon provavelmente concordaria depois daquele seu olhar acusatório e julgador), no entanto, é mais do que apenas uma cena divertida para o deleite do público apaixonado pelo vôo dos dragões. A sequência vende uma ideia de um casal apaixonado que vai permanecer junto contra tudo e todos, mas isso não é nem de longe o modo natural como essa história opera. Já sabíamos a respeito da ascendência de Jon Snow, um rapaz tanto Stark quanto Targaryen, mas ele ter sido “aceito” por Rhaegal o coloca praticamente em pé de igualdade com a tia no que diz respeito ao seu direito ao Trono de Ferro.

Helen Sloan/HBO

Isso é complementado com o momento em que Samwell (John Bradley) enfim conhece Daenerys e posteriormente conta a verdade a Jon sobre quem são seus pais. A informação de que Jon é um Targaryen não é mais novidade para o espectador a esta altura, mas torna-se o ponto inicial de um conflito quando o personagem principal deste arco enfim faz a descoberta.

Ao colocar Sam contando a verdade a Jon logo depois de ter aprendido que a Rainha Dragão matou seu pai e seu irmão (em uma ótima atuação de Bradley) , o episódio está dizendo que Daenerys seria uma líder perigosa por ser filha de seu pai, um piromaníaco de primeira classe. Consequentemente, o episódio está entregando nas mãos de Snow a responsabilidade de ser um líder justo e nobre. Toda esta troca entre Jon e Sam é vista através da ótica de uma pessoa com medo da mãe dos dragões por causa das duras decisões que ela tomou no passado, e continuaria tomando.

Ainda assim, por mais que a rasa atuação de Kit Harington não ajude, o que vimos em sua expressão no momento não é alegria ou alívio, mas desespero. Ficou estabelecido que Jon Snow seria o legítimo herdeiro do Trono de Ferro, mas o personagem enxerga a ideia de clamar a liderança como traição. O fato de ele estar dormindo com a tia é provavelmente a última das preocupações em sua cabeça, mas teremos que esperar para ver o que ele fará com a informação recém-adquirida. Dificilmente ele decidiria requisitar o Trono para si, mas também dificilmente este clima de felicidade entre o casal vai se manter. Simplesmente não é como histórias operam, ou deveriam operar.

Helen Sloan/HBO

Do outro lado, temos algumas atualizações de percurso de outros dois times: Cersei (Lena Headey) recebe a Companhia Dourada e aparentemente sela a sua aliança com Euron Greyjoy (Pilou Asbaek). Ela ainda não tem nenhum plano de se unir a Winterfell para lutar contra os mortos — algo que Sansa percebeu imediatamente, mas Tyrion não —, mas se prepara para usar esta mesma luta para se livrar dos inimigos. Será que Bronn (Jerome Flynn) vai realmente se voltar contra Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) e o anão?

Mais para cima no mapa, o Rei da Noite também deixa o seu recado através do pequeno Lorde Umber, enquanto vai em direção a uma Winterfell despida de grandes apoiadores do Norte. Faltando apenas cinco episódios para o fim, e sendo esta a principal ameaça para todos, não deve demorar muito para aquela batalha que demorou 11 semanas para ser filmada. Alô, episódio 3!

Mas enquanto Jon e Dany são jogados em um relacionamento desinteressante e sem química, Arya, Sansa e Bran vão se transformando nos personagens mais ricos da história. Um tem a informação, outra tem a estratégia e outra é perita na execução, e assim eles parecem formar o grupo mais completo e coeso. Ainda mais agora que Arya tem Gendry (Joe Dempsie) de volta para fazer as suas armas personalizadas.

Helen Sloan/HBO

“Winterfell” se encerra de fato mostrando todos os Stark encontrando seus lugares no mundo, ou pelo menos aceitando aquele em que estão. O reencontro entre Jaime e Bran serve como a cartada final anos depois do icônico “as coisas que fazemos por amor” do primeiro episódio. Prestes a ficar cara a cara novamente também com Daenerys, parece que o Lannister vai ter que honrar o lema da casa e pagar as suas dívidas.

Sem fugir do que já havia feito em anos anteriores, Game of Thrones abre a sua temporada final sem grandes acontecimentos, para recolocar o público na história sem confundir a cabeça de ninguém. Mas “Winterfell” também estabelece que, a princípio, descobrir quem vai se sentar no Trono de Ferro é uma pergunta tão importante de ser respondida quanto “como vamos derrotar um exército de mortos?”, e deixa no ar ainda uma promessa. Essa união de todos os personagens que sejam o mínimo de agradáveis a favor do norte não será tão “flores e arco-íris” como parece.

Considerações finais:

  • A nova abertura, Sansa sarcástica e o cabelo preto de Jaime Lannister estão disputando o posto de “momento campeão do episódio”, mas é impossível não se emocionar com o reencontro entre Jon e Arya, sob a Árvore-Coração, falando de Agulha, Garralonga, família e suas trajetórias de sobrevivência. Ned nunca esteve tão presente.

  • Dificilmente o arco narrativo dos Greyjoy tem algum propósito a esta altura do campeonato, mas é interessante a redenção de Theon (Alfie Allen) e seu desejo de voltar a lutar pelo norte.

  • Será que Jon Snow ainda se lembra que ele tinha um lobo gigante albino de olhos vermelhos chamado Fantasma?

  • É difícil ler a expressão facial de um dragão, mas Drogon parece não ter ficado muito feliz com aquele momento estilo comédia romântica entre Jon e Dany. Drogon, sempre a representação da sensatez.

O que você achou do episódio?

FONTE: ADOROCINEMA

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